Introdução
Sinal da Cruz
Em nome do ✠ Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Põe-te, oh alma piedosa, na presença do teu amadíssimo Salvador, e pensa naquela noite em que o bom Jesus, depois de ter instituído a sagrada Eucaristia, para teu alimento sai com os apóstolos e se encaminha para o Horto das Oliveiras, a fim de dar começo àquela dolorosíssima Paixão com a qual devia salvar o mundo. Aquele rosto divino, em que resplandeciam todas as graças e formosuras, cobre-se de palidez mortal, reflexo de grande profunda tristeza que lhe aniquila a alma, tristeza que o bom Jesus manifesta por suas próprias palavras.
O aflito Jesus, volta a ti, o seu aflito olhar, como para te dizer: "Oh alma querida, que tantas amarguras me custaste, permanece comigo ao menos uma hora, e vê se há igual a minha dor! Considero que na noite da minha agonia, debalde procurei alguém que me consolasse e não o achei."
Meu adorável Jesus, poderá haver criatura tão ingrata e de coração tão endurecido, que se recuse a passar uma hora em Vossa companhia, recordando aqueles mistérios de imensa dor e incomparável amor, que cumpriram nas trevas da Vossa Paixão no Jardim das Oliveiras? Meu bom Jesus, eis-me aqui convosco. Dignai-vos fazer-me compreender a crueldade dos vossos sofrimentos e o excesso de amor que vos levou a vos imolardes como vítima dos meus pecados e de todos os homens.
Redimidos, vinde ao Horto,
Vinde ó sangue contemplar
Que Jesus, sem um conforto,
Ver-te ali pra nos salvar.
Ó Jesus, aos vossos braços
Compungidos, nos tornamos
Estreita-nos com os laços
Que pecando nós quebramos
Com Jesus aqui fiquemos,
Adorando, suplicando;
Hora breve aqui passamos
Seu martírio relembrando.
— Primeiro Quarto de Hora —
A Tristeza de Jesus
"A minha Alma está numa tristeza mortal"
Não há sofrimento que se possa comparar com os da Hora da morte. Por isso, o nosso Salvador, que é verdade infalível, para nos fazer compreender a dor excessiva que O oprimiu na entrada do Horto, declara que sua alma está submersa numa tristeza mortal, isto é, que a dor que sofre é tão grande, que lhe pudera causar a morte. Encaminha-se depois para o Horto das Oliveiras e, chegando ao lugar onde costumava a passar as noites em oração, exorta seus fiéis discípulos que levara consigo para serem testemunhas de suas amarguras, a velarem e rezarem juntamente com Ele. E afastando-se à distância de um tiro de pedra, prostra-se ante a Majestade de seu Pai e dá começo à oração mais generosa que já se fez neste mundo.
A primeira causa da tristeza de Jesus no Jardim foi a vista do horrendo cúmulo de tormentos e de opróbrios que em breve deveriam se arremessar sobre Ele, como as ondas bravias de um mar agitado pela fúria da tempestade. Com efeito, apenas se afasta de seus queridos discípulos, apresentam-se-lhe ao pensamento todas as horríveis cenas de dor e de sangue de sua Sagrada Paixão: ironias, irrisão, calúnias... Ainda mais uma cruel flagelação, com grande número de açoites, que suas carnes dilaceradas cairão aos pedaços, até se lhe descobrirem os ossos! Mas não basta. Pungentes espinhos hão de atormentar até a morte sua sagrada fronte! Prevê ainda as bofetadas, escarros e maus tratos! Mais: há de sofrer a infâmia de uma condenação injusta, e será escarnecido pelos magnatas de sua nação e pelo povo.
Depois, desfalecido por tantos sofrimentos, arrastar-se-á até o monte do sacrifício, carregando aos ombros chagados a Cruz, a cujo peso sucumbirá muitas vezes. Beberá o amargo fel, será despido diante de uma multidão insolente, pregar-se-ão suas mãos e seus pés e daqueles cravos ficará pendendo três horas suspenso entre o céu e a terra, para expiar, num abismo de sofrimentos, as iniquidades do gênero humano! Ainda não é tudo. A esses inumeráveis e atrozes tormentos acrescem os mais amargos escárnios, os insultos e as provocações! Depois, a sede ardente, torturante, aumentada mais ainda pelo vinagre! O abandono do Pai... a dor imensa de sua Mãe diletíssima e a horrível e pavorosa morte!
Alma remida, filha das penas atrozes de Jesus, considera o teu Salvador, abismado em um oceano de dores, e tudo isso por teu amor, para te salvar, para te levar consigo ao Paraíso. Jesus, oprimido por tanta angústia, procura os seus três discípulos, aos quais recomendava que velassem e rezassem, mas encontra-os dormindo. Nem uma palavra de conforto, nem um sentimento de compaixão para com Jesus agonizante! Na amargura desse abandono, Jesus a ti se dirige, oh alma piedosa, para ver se encontra em teu coração um pouco de afeto, de compaixão, de gratidão... E não terás uma palavra de conforto para o bom Jesus? Se estivéssemos ao seu lado, na noite de sua agonia, o que lhe dirias? Ah! abre-lhe o teu coração e faz o que então farias, o que muito lhe agradará, pois Jesus aceita sempre com a mesma complacência as demonstrações de afeto dos corações de seus filhos.
(Pausa)
Oferecimento
Pai Santo, que tanto amaste o mundo, a ponto de sacrificardes o Vosso Filho humanado. Eu vos agradeço, em nome de todos os vossos filhos remidos, por este ato de vossa infinita caridade e vos ofereço a santidade perfeitíssima e todos os merecimentos do vosso Filho unigênito.
Pai-Nosso · Ave-Maria · Glória
Pai Santo, que para nos livrar da perdição eterna, acumulastes, sobre a adorável humanidade do Vosso Filho unigênito, o peso formidável de todas as nossas iniquidades. Eu vos ofereço as agonias de Jesus no Getsêmani, suplicando-vos que me concedais gozar o fruto de suas horríveis penas, por toda eternidade.
Pai-Nosso · Ave-Maria · Glória
Pai Santo, que para reconciliar a culpada humanidade com vossa divina Majestade, submetestes a uma inexorável justiça o Vosso Filho unigênito, que foi obrigado a carregar nos seus inocentes ombros todas as penas devidas às nossas culpas. Ofereço-vos a submissão amorosa de Jesus no horto, suplicando-vos que me concedais a graça da conversão e salvação de todos os pecadores.
Pai-Nosso · Ave-Maria · Glória
Quanta angústia no jardim,
Se apodera do Senhor!
Quanto sofre, ó Céus, por mim
O meu terno Salvador
Os meus olhos se umedecem
De divino, amargo pranto,
Vendo as almas que perecem,
mesmo após padecer tanto.
— Segundo Quarto de Hora —
Jesus geme sob o peso das iniquidades humanas
Nas trevas da noite e o abandono por parte dos seus queridos discípulos, já passou Jesus uma longa e penosa hora de sofrimentos. A visão nitidíssima dos cruéis tormentos que o esperam enche de terror e de angústia sua alma bendita. Mais enorme ainda lhe parece o peso de sua missão de Salvador do mundo. Vê já chegando o tempo de sua imolação. O Céu, a terra e o inferno conjuram contra Ele. Há de sustentar, pois, uma grande luta: todos os ataques contra Ele se dirigem. E o que faz Jesus? Empalidece, treme e humildemente recorre ao Pai, exclamando: "Pai, se é possível, afasta de mim este cálice." Qual será a resposta a esta humilde prece do Filho de Deus? Nenhuma. O Céu não responde ao pobre Jesus! Pois Jesus quer sofrer mais esta pena para nos implorar uma perseverante humildade na oração e uma confiança constante, mesmo quando o Céu parece não atender às nossas súplicas.
Acompanha, porém, oh! alma piedosa, o teu Jesus que, levado pelo amor para contigo, avança ainda mais para o caminho da dor. A série horrível de todos os crimes, de todas as perversidades dos filhos de Adão apresentam-se-lhe ao pensamento e dilaceram-lhe a alma. E já se vê sobrecarregado de todas as abominações. E assim, coberto dessas imundícies, há de comparecer ante os olhos puríssimos de seu Pai. Não é possível que a inteligência humana possa compreender, nem tão pouco imaginar, o horrível tormento que sofreu então a bendita e inocentíssima Alma de Jesus. Disso piedosamente já Ele se queixava, dizendo pela boca do profeta: "Sobre as minhas costas trabalharam os pecadores!"
Oh, como está o querido Salvador oprimido sob o peso de tantos pecados! Mas o Divino Cordeiro, tão ofendido pelos homens, depois de satisfazer as iniquidades humanas, imolando sua preciosa vida num patíbulo para tirar os pecados do mundo, poderá, ao menos, esperar que os homens, reconhecidos por tantos benefícios, estejam dispostos a abandonar o pecado e permanecer fiéis àquele que com tantas penas os livrou da morte eterna? Entretanto, um quadro ainda mais horrível aparece ante seu divino olhar: vê, depois de ter remido a humanidade com tantos sofrimentos, ainda reinar no mundo o pecado! Vê conculcada sua Igreja, perseguida, caluniados seus ministros, abandonadas as suas graças, o seu amor desprezado. E chorando exclama: Quae utilitas in sanguine meo? (Para que derramar todo meu sangue?)
Aqui o bom Jesus lança um olhar a todos os séculos do porvir e, em cada século, em cada ano, vê pecados. Pecados em cada dia, pecados em cada momento! E o peso de todos esses pecados sempre mais oprime e lhe faz repetir: "Sobre as minhas costas trabalharam os pecadores; prolongaram a sua iniquidade" (Sl 128, 3). Oh! minha alma, também estarias tu entre o número daqueles que, aumentando a cadeia dos pecados e adiando sempre a conversão prometida, arrancaram do coração agonizante de Jesus aquele lamento cheio de tão justa dor?
Almas diletas, exclama o Redentor, almas da minha paz, almas que sois as amigas íntimas do meu coração, almas que viveis em minha casa, almas que comeis do meu pão, por que me transpassais o coração com o pecado? Povo do meu coração, o que é que vos fiz? Em que vos magoei? Mitiguei-vos a sede com as águas celestiais da minha graça e dais-me em troca vinagre e fel? Saciei-vos a fome com o preciosíssimo maná de minha carne, e retribuis com bofetadas e flagelos? Eu vos preparei no céu um trono, e vós me apresentais um patíbulo? Oh! almas queridas, diletas do meu coração, que podia eu fazer por vós que o não tenha feito?
(Pausa)
Oferecimento
Por que não poderia eu, oh meu aflito Salvador, oferecer-vos em troca do vosso infinito amor, o meu coração e o de todos os homens, inflamados de ardentíssima caridade? Mui compungido pela minha frieza, ofereço-vos, ó bom Jesus, os desejos ardentes com que os antigos patriarcas e profetas suspiraram pela vossa vinda, e o santo zelo com que os vossos Apóstolos levaram o vosso Nome por toda a Terra.
Pai-Nosso · Ave-Maria · Glória
Ofereço-vos, ó meu atormentado Redentor, a perfeita e terníssima compaixão que teve de vossos sofrimentos vossa Mãe Imaculada, a Virgem das Dores, e a perfeitíssima gratidão com que Ela, em nome de todo o gênero humano, vos agradeceu, vos louvou e vos bendisse pelo benefício infinito da Redenção.
Pai-Nosso · Ave-Maria · Glória
Meu agonizante Jesus, não podendo eu, mesquinha criatura, dar-vos algum conforto em tantas amarguras, ofereço-vos a inexcedível alegria com que a adorável Trindade, juntamente com todos os anjos do Céu, aplaudiu a grandiosa obra da Redenção, por vós dolorosa e amorosamente consumada; e suplico-vos também que façais compreender a todos os vossos filhos, remidos com o vosso sangue, este mistério de infinita caridade.
Pai-Nosso · Ave-Maria · Glória
Sob o peso do pecado
E oprimido pela dor,
Já por terra cai prostrado
Nosso amante Redentor
Vinde ó Anjos, um conforto
Prodigai ao vosso Deus,
Que agoniza neste horto,
Pra tornar-nos filhos Teus
— Terceiro Quarto de Hora —
O Generoso Fiat
Contemplai, ó alma remida, o teu Salvador, que, com o coração ferido pela ingratidão humana, cai agonizante sobre a terra fria de Getsêmani. Ali está sozinho, abandonado, sem ter quem o console, a Ele que nunca recusou o conforto aos atribulados, aos fracos, aos infelizes! Alma fiel, é chegado o momento de pagares ao aflito Jesus amor com amor. Que terias feito, na noite da Paixão, se estivésseis ao lado de Jesus agonizante?
Meu aflito Senhor, quero levantar-Vos do solo! Quero oferecer-Vos meu coração para manter as cores da Vossa face! Quero dizer-vos uma palavra que vos conforte! Meu meigo Salvador, eu vos amo, eu vos amo! Quero dar-vos amor, quero proporcionar-vos amor, quero que todos vos amem, quero empregar toda minha vida para que sejais amado. Meu amável Jesus, disse-vos que estaria disposto até a dar a minha própria vida por vós; mas, quando encontrar alguma leve contrariedade, humilhação, recusa, repreensão, indelicadeza, sofrerei tudo isso por amor de vós? Amo eu realmente o sacrifício?
Passam, entretanto, lentamente as horas da mortal agonia de Jesus. Ele, o Deus do Céu e da terra, geme prostrado no chão, sem ter quem o conforte. E os discípulos? Que fazem eles? Dormem! Oh! excesso de ingratidão e crueldade! Oh bom Jesus, não vos conhecemos! Se vos conhecêssemos, pensaríamos sempre em vós. Enquanto Jesus, sozinho, geme e agoniza prostrado por terra, eis que um Anjo do Céu vem confortá-lo. Jesus, com a humildade de um filho obediente, acolhe o mensageiro do Pai celestial, pronto a submeter-se às suas ordens.
O Anjo, porém, vem para o alentar, e não para lhe abrandar os sofrimentos nem para o livrar de sorver o amaríssimo cálice; anima Jesus a afrontar a grande luta e a receber todos os golpes que contra ele arremessará o Céu, o mundo e o inferno: o Céu, porque a eterna justiça de seu Pai está para punir nele todas as iniquidades humanas; o mundo, porque não podendo suportar a santidade do Filho de Deus, lhe prepara o patíbulo; o inferno, porque incitado pelo ódio contra o Santo dos santos, provoca com maior violência a crueldade dos inimigos de Jesus. Entretanto, justiça e misericórdia esperam o Fiat de Jesus: espera-o o Céu, para se poder povoar de santos; espera-o a terra, para ver cancelada pelo sangue do divino Redentor a dívida do pecado.
"Pai meu, se é possível, afasta este cálice!" (Mt 26, 39). Pronuncia o Fiat, e consente em tomar sobre si todos os nossos crimes, como se fora culpado dos mesmos; aceita e atrai sobre si os terríveis castigos a nós destinados. Fiat aos discípulos, para expiar os nossos maus pensamentos. Fiat aos flagelos, para castigar em seu corpo inocente os nossos pecados sensuais. Fiat aos insultos, aos escarros, às bofetadas, para expiar o nosso orgulho. Fiat ao vinagre e ao fel, em satisfação dos nossos inúmeros pecados de língua e de gula. Fiat àquelas três horas de horrível agonia sobre o patíbulo, para cancelar todas as nossas culpas. Fiat, finalmente, à morte, para nos dar a vida eterna. Fiat: faça-se em tudo a vontade do Pai do Céu; estou inteiramente às disposições de sua vontade; consinto em sofrer todos os tormentos da Paixão e Morte pela salvação do mundo.
Graças vos dou, ó bom Jesus, graças vos dou por tão generoso Fiat. Bendigo-vos e agradeço-vos em nome de toda a humanidade.
(Pausa)
Oferecimento
Pai Santo, que, em reparação de nossas rebeldias e desobediências, quisestes ser honrado com o generoso Fiat de Jesus no Jardim das Oliveiras. Eu vo-lo ofereço em expiação de todas as ofensas que a vossa adorável Majestade recebeu de minha rebelde vontade, suplicando-vos me concedais, pelos merecimentos desse mesmo Fiat, perfeita docilidade e obediência.
Pai-Nosso · Ave-Maria · Glória
Pai Santo, pela glória que vos resultou do generoso Fiat de Jesus no Horto, suplico-vos me perdoeis todas as minhas rebeliões e desobediências e me concedais a graça de sempre viver plenamente submisso à vontade dos meus superiores por amor de vós.
Pai-Nosso · Ave-Maria · Glória
Pai Santo, pela magnanimidade e dolorosas consequências que a Jesus custou o Fiat do Getsêmani, suplico-vos me concedais a mim, a todas as almas que vos são consagradas e a todos os cristãos, aquele espírito de santa fortaleza, constância e generosidade que afronta alegremente, para vossa glória, qualquer sacrifício.
Pai-Nosso · Ave-Maria · Glória
A palavra suspirada
De infinito, ardente amor
Por Jesus é pronunciada
Com profunda e imensa dor!
Esse Fiat amoroso
custa sofrimentos sérios
Um patíbulo afrontoso,
Penas, dores, vitupérios.
— Último Quarto de Hora —
Jesus já proferiu o seu Fiat
e cai novamente sob o enorme peso que tomou sobre siDe um lado, aperta-o a Divina Justiça, considerando-o como vítima universal, em que se reúnem todas as culpas e todas as penas; de outro, impele-o o desejo infinito de cumprir a sua missão de Redentor do mundo, o que lhe antecipa o doloroso e tão desejado Batismo de sangue. Ah! Já agora o bom Jesus se pode considerar o trigo escolhido, triturado entre duas mós de moinho, ou o sazonado cacho de uva, espremido no lagar. Realmente, pela dor imensa que lhe confrange o coração, começa a suar sangue em tanta abundância, que chega a banhar a terra do jardim.
Oh quanto custou a Jesus esse Fiat! Oh! quanto teve que sofrer para pagar as nossas dívidas! Que vergonha é para mim tudo isso! Pois recuso ainda os mais leves sacrifícios, depois de ter visto o meu Deus tornar-se vítima espontânea por amor de mim: "Foi oferecido porque Ele mesmo quis" (Is 53, 7). Jesus, porém, ainda não está satisfeito: o seu incompreensível amor quer, por meio de suas dores, depor em nossas mãos, como coisa absolutamente nossa, o tesouro infinito de seus méritos, com que possamos obter do Altíssimo todos os bens.
A caridade infinita do nosso meigo Salvador os premedita; e, com a voz do seu sangue, com os gemidos do seu coração agonizante, implora a seu Pai a suma graça de sermos elevados até o abraço da Divindade na Santa Eucaristia, por Ele mesmo instituída nessa noite de sua Paixão. E, como se tudo isso ainda não bastasse para saciar um amor que não conhece limites, quer Jesus que se nos infunda, e em nossas almas permaneça, o seu Divino Espírito, o Paráclito. E agora, aqui no Getsêmani, derramando sangue, cumpre o Senhor a sua promessa, tornando-nos dignos de receber o Paráclito, elevando-nos assim ao grau supremo da felicidade, da graça e da glória.
Elevando ao Céu o rosto ensanguentado, roga ao Pai que lhe conceda, no seio das nações prometidas como herança, um grupo de almas escolhidas, que sejam as esposas prediletas do seu Coração: "Dá-me almas, dá-me almas, e podes tirar-me tudo. Almas, oh meu Pai, dá-me almas, e tudo te entregarei até a minha vida, que em prol das almas se consumirá no patíbulo." E, entre tantas almas, Jesus escolhe também a tua, deseja-a e, gemendo, pede-a ao Pai, e por ela renova, em particular, a oferta de si mesmo e de suas infinitas penas.
Oh! alma, quanto és amada por esse Deus, que, suando sangue, te escolheu, te quis, te abraçou como sua esposa querida! Assim como do alto da Cruz dirá à sua Mãe: "Eis o teu filho", entregando na pessoa de João todos os seus filhos remidos, agora no Getsêmani a seu Pai se dirige, exclamando: "Eis os teus filhos. Eu, teu filho por natureza, tomo o lugar do homem pecador, para que este tome o meu lugar e se torne teu filho pela graça. Para mim a pena, oh meu Pai, e perdão e paz para o pecador; para mim a morte, para ele a vida; para mim o abandono, para ele a perfeita, feliz e eterna união contigo. Eis, eis os teus filhos! Abraça-os; o meu sangue purifica-os, torna-os belos e dignos de Ti. Pai meu, eu quero que as almas que me destes constituam uma só coisa conosco, unificadas em nós como também nós somos um."
(Pausa)
Oferecimento
Pai Santo, com o coração compenetrado do mais vivo reconhecimento, eu vos dou graças, em nome de todos os homens, porque nos destes um Redentor tão bom e tão generoso, pelo qual, com vantagem infinita, temos readquirido os bens perdidos pela culpa original. Ofereço-vos, pela salvação de todos os remidos, o sangue que Ele derramou. Fazei que os frutos da redenção sejam tão copiosos quanto a mesma redenção, e que o bom Jesus seja por todos os filhos de Adão conhecido, bendito, amado e glorificado por toda a eternidade.
Pai-Nosso · Ave-Maria · Glória
Pai Santo, eu vos ofereço o precioso sangue de Jesus para implorar da Vossa misericórdia a exaltação e o incremento da Igreja Católica, a conversão de todos os infiéis, de todos os hereges e de todos os pecadores, a perseverança dos justos e a libertação das almas do purgatório. Eu vo-lo ofereço para o maior bem dos meus superiores e de todos que me são mais queridos, e pela santificação da minha alma e para obter a graça que ardentemente vos peço.
Pai-Nosso · Ave-Maria · Glória
Pai Santo, que tanto amaste o mundo que lhe enviastes o vosso Filho unigênito, sacrificando-o entre os maiores sofrimentos, fazei agora que o mundo ame realmente Jesus, lhe seja reconhecido, o bendiga, o exalte, e que sejam numerosas as almas a Ele perfeitamente unidas e constantemente fiéis, encontrando-se nesse número também a minha pobre alma. Ofereço-vos os gemidos, as súplicas e as agonias de Jesus no Getsêmani, como sangue por Ele derramado, para que vos digneis despertar nos corações de todos os cristãos uma vivíssima devoção aos admiráveis mistérios da Redenção, e lhes infunda aquele generoso espírito de sacrifício que torna as almas semelhantes a Jesus.
Pai-Nosso · Ave-Maria · Glória
Ao divino Amante demos,
Graças mil, de coração
Pois que em seu sangue nós temos
Um penhor de salvação
És, oh sangue, quem da morte
Nossas almas libertou
Quem trocou a nossa sorte,
Quem o Céu nos franqueou
Conclusão
Mais um olhar ao teu Jesus, oh alma, filha do seu amor e de suas dores. As longas horas de agonia no Getsêmani já se passaram, para dar lugar a uma série interminável de tormentos e às últimas três horas de agonia sobre o patíbulo. Eis Judas, que vem para trair o seu Mestre, e Jesus vai-lhe ao encontro, qual manso cordeiro. Ah! Meu Jesus, terei de vos ver nos braços de um traidor? Ah! Não! Vinde aos meus braços ou, antes, ao meu coração, oh bom Jesus, pois eu não quero ofender-vos jamais, e sim amar-vos para sempre.
Comunhão Espiritual
Oh meu Jesus, eu creio que estás presente no Santíssimo Sacramento. Amo-Vos sobre todas as coisas e minha alma suspira por Vós. Mas como não posso receber-Vos agora, de maneira sacramental, vinde ao menos espiritualmente ao meu coração.
(Pausa)
Abraço-me convosco, uno-me a Vós inteiramente. Não permitais que eu me separe de Vós. Oh! Jesus, sumo bem e doce amor meu, vulnerai e inflamai o meu coração, a fim de que esteja abrasado em Vosso amor para sempre. Amém!
Sinal da Cruz Final
Em nome do ✠ Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.